Para o bem e para o mal, a Globo é
um modelo para a Record nesta sua
cobertura dos Jogos Pan-
Americanos de Guadalajara. A
emissora montou estrutura
gigantesca, trouxe mais de duas
centenas de profissionais e usufrui
das vantagens concedidas a quem
pagou pelos direitos de transmissão
para o Brasil.
Um dos privilégios é o de poder
filmar os eventos esportivos de
forma complementar à transmissão
oficial. É a chamada “câmera
exclusiva”, colocada em locais
diferentes daqueles usados pela
organização do Pan para gerar as
suas imagens.
Até aí, tudo bem. A tal “câmera
exclusiva” pode, de fato, captar
detalhes que escapam ou não
interessam às câmeras oficiais. O
que é chato, e tem irritado os
espectadores, é a insistência dos
narradores e repórteres da Record
em se vangloriar de um recurso que
não passa de um direito da emissora.
E, pior, às vezes, mal usado.
No primeiro dia do taekwondo, por
exemplo, a “câmera exclusiva” exibiu
lutas com qualidade deficiente,
provocando piadas no Twitter. Na
verdade, não foi culpa da Record. A
geradora oficial das imagens estava
filmando apenas um dos tablados de
luta. Com segundo descoberto, a
equipe da emissora improvisou,
direcionando sua câmera para lá,
mas colocada num ponto ruim, com
gente passando na frente.
Tivessem deixado claro para o
espectador que estavam suprindo
uma deficiência da transmissão
oficial, em vez de fazer marketing
da “câmera exclusiva”, o impacto
teria sido outro e as críticas, mais
amenas.
UOL
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